Você já procurou alguma vez hotel na internet? Quando você ouve esta frase talvez se lembre de uma sequência de comerciais que passam na televisão e que vendem a ideia de facilitar a sua busca pelo hotel ideal, pelo melhor preço. Comparar os preços de um quarto de hotel é uma tarefa relativamente fácil porque você poder utilizar critérios de comparação ou filtros que são bastante objetivos: como preço, localização, comodidades ou bastante subjetivos, como a avaliação dos usuários.

E como você faz para responder à pergunta sobre qual é a melhor forma para se aprender inglês? Vou arriscar um palpite: a sua primeira resposta foi “depende”, acertei? Você sabe que existem muitos caminhos que podem levar ao aprendizado e à fluência no idioma e que, na escolha por um ou por outro, é preciso pesar questões como “quem”, “para que?”, “quando”, “como”, “onde”, “quanto” e por aí vai. Estes poderiam ser alguns dos filtros usados para reduzir a lista de opções e ajudar na tomada de decisão mas ainda assim restaria um que está diretamente associado à experiência que cada um teve e que, no caso dos hotéis, é descrito como “as avaliações dos usuários” e que, no nosso caso, seria “a avaliação dos alunos”.

Como fazemos, enquanto professores, para proporcionar aos nossos alunos a melhor experiência de aprendizado? Como queremos ser lembrados? No último texto que publiquei aqui no Blog Disal fiz um comparativo entre a educação bilíngue e os smartphones. A educação bilíngue vai chegar a todas as escolas brasileiras assim como os smartphones chegaram às mãos de um número extremamente expressivo de pessoas por todo o país. Vivemos em uma era onde a internet produziu mudanças de comportamento na sociedade e continua nos provocando e nos desafiando a sermos melhores a cada dia. Eu não tenho certeza se chegaremos no nível extremo mostrado pelo primeiro episódio da terceira temporada da série Black Mirror (chama-se Queda livre, você assistiu? É assustador), espero que não, mas existe uma tendência, que não podemos ignorar, de tornar cada vez mais públicos nossos dados, nossos perfis e nossas avaliações tanto pessoais quanto profissionais. Sorria, você não está mais só sendo filmado.

Respondendo à pergunta que fiz no início do parágrafo anterior, para que nossos alunos tenham a melhor experiência de aprendizado com o idioma é preciso ir além de “dar a aula de inglês”. Como assim? Pense em como os motoristas do Uber foram além dos taxistas ou como os atendentes dos restaurantes da rede Outback, por exemplo, vão além de garçons? Em cada caso há um detalhe ou uma forma diferente de fazer que faz com que o cliente se sinta especial. A sua aula tem que ser, para o aluno, uma experiência agradável mesmo que as condições externas sejam sabotadores (o trânsito insuportável no horário de pico, o barulho que incomoda feito pelos ocupantes da mesa ao lado etc). O que você faz para os seus alunos que gera neles a percepção de que eles são especiais? Como eles saem das suas aulas? Exaustos mas felizes como quem termina uma aula de Zumba? Frustrados como quem enfrenta a fila do supermercado apenas para pagar pelas compras que estão no carrinho? Animados com os resultados como quem se olha no espelho após o terceiro mês de academia? Confusos e perdidos como quem tenta pela primeira vez pegar o metrô na estação Sé? Desanimado quando seu arroz insiste em ficar papa mesmo você tendo seguido exatamente o que dizia a receita? Eufóricos como nos cinco minutos que antecedem a abertura dos presentes de Natal ou o encontro com o seu ídolo?

Milena Claus
Fundadora da YouZ Sistema de Ensino Bilíngue, Pedagoga graduada pela Universidade de São Paulo (USP), pós-graduada em Psicopedagogia Educacional. English teacher e Coordenadora de Ensino nas principais escolas de idioma do país.