Resumo: É importante observar e encorajar atitudes em sala de aula? Como fazer com que alunos desenvolvam seus potenciais através da atitude e comprometimento e como o professor pode auxiliá-lo? Este post pretende abordar este tópico relevante ao ensino de idiomas: a atitude que professores e coordenadores precisam tomar em relação aos alunos. Embora seja importante também pensarmos nas atitudes dos alunos perante um curso, acredito que somente teremos uma resposta positiva dos estudantes se nossa atitude como profissionais for perspicaz e significativa.


ATITUDE NO ENSINO DE IDIOMAS


Geralmente quando precisamos criar algo ou pensar em algum tópico, podemos usar uma técnica que nos faz expor ideias livremente para que possamos ter uma melhor desenvoltura de raciocínio. É a chamada estratégia do “brainstorm”. Para isso, associamos palavras que aparecem em nossa mente sem muito questionamento para que numa fase posterior possamos trabalhar estas ideias melhor.

Assim, como você, prezado participante, faria um “brainstorm” da palavra “ATITUDE” em relação ao ensino de idiomas?

Usando as próprias letras da palavra ATITUDE, pensei em algo como:

Agir

Tentar

Importar-se

Tocar

Unir

Decidir

Envolver

Posso agora discutir cada palavra com mais detalhes, aprofundando-me em seus significados em relação ao ensino de idiomas.

AGIR: desde que comecei a lecionar inglês , tenho percebido que esta palavra é imprescindível no vocabulário de um profissional que pretenda despertar o interesse de alunos para estudar um idioma. Seria também o primeiro passo para criar-se um vínculo maior entre professor e aluno e desencadear o processo desejado.

Quando os alunos vêm nos procurar por meio da escola ou por incentivo de outras pessoas, já estão agindo de forma positiva para o próprio desenvolvimento, pois estão motivados (internamente ou externamente) a começar o curso.

Estão inicialmente curiosos, pois vão enfrentar algo novo e estão ansiosos em conseguir resultados.

Passando a fase de adaptação e conhecimento, alguns alunos podem sentir-se desapontados ou frustrados no decorrer do curso pois o que está sendo obtido não corresponde às suas expectativas. Quando isso acontece, o professor deve agir imediatamente para saber o que está dificultando a aprendizagem e envolvimento, procurando formas alternativas para estimulá-lo a prosseguir.

O professor que não age acaba aceitando os acontecimentos de forma passiva e por comportar-se desta maneira, desencoraja alunos e estes acabam desistindo do curso facilmente.

Lembro-me de um caso de uma escola que contratava professores para darem aulas em uma empresa. Os professores eram esforçados e lecionavam turmas de quatorze alunos cada. No entanto, no decorrer do curso as turmas se desenvolveram de uma forma muito heterogênea e somente 20% do grupo conseguia acompanhar o programa. Apesar das dificuldades da maioria e da percepção do professor, nada foi feito em relação aos alunos. A escola estava mais preocupada em manter o contrato e continuar com o programa previamente estipulado do que repensar em formas alternativas para que todos saíssem ganhando. Qual foi o resultado? Alunos acabaram desistindo do curso insatisfeitos com o método apresentado, culpando a escola e culpando a si mesmos por não terem desenvolvido o idioma estudado. Considerando este caso, pude notar que a escola esqueceu-se da 2ª palavra que pensei no “brainstorm”:

TENTAR: Agir é importante, mas tentar numa situação dessas é essencial. Quando nossas ações não forem compreendidas, precisamos tentar buscar outras soluções para que resultados sejam obtidos.

Se nosso objetivo é fazer com que alunos aprendam um idioma, se algo acontecer durante o caminho que prejudique o processo, precisamos ser mais flexíveis e tentar estimulá-los a ponto de superar dificuldades.

No caso da escola em questão, coordenadores poderiam ter ouvido a opinião dos alunos e dos professores envolvidos e procurar, por exemplo, dividir o grupo em duas ou três pequenas turmas e encontrar a necessidade dos mesmos. É verdade que isto implicaria em alteração de custos e carga horária, mas acredito que valeria a pena.

É preferível tentar do que somente observar alunos interessados e esforçados tornando-se desmotivados e incrédulos diante de uma situação que poderia ser contornada.

A escola teria muito o que aprender e ganhar com um grupo como este se adotasse uma postura menos rígida.

IMPORTAR-SE:A impressão que os alunos tiveram foi a de que a escola importava-se em cumprir o contrato e o programa estabelecido. Entretanto, esqueceram de se preocupar com o elemento principal deste trabalho, ou seja, o aluno.

Importaram-se , sim, mas foi com os regulamentos e programação da escola. A escola e o nome que ela trazia estavam em evidência. Como poderiam mudar, se há anos trabalhavam daquela forma?

Penso que poderiam, como profissionais experientes adaptar seus cursos para TOCAREM seus alunos, para recuperá-los e trazerem-nos de volta ao grupo, UNINDO-OS novamente. E se esta atitude não funcionasse, poderiam procurar outras formas que fizessem com que professores e alunos trabalhassem de maneira agradável e comprometida.

DECIDIR sobre o que fazer num caso desses não é fácil. É preciso conversar com as partes envolvidas, com coordenadores, alunos e professores para que todos fiquem satisfeitos e trabalhem para um mesmo objetivo.

ENVOLVER alunos implica num envolvimento nosso também com eles e com o trabalho. Se algum problema ocorrer, precisamos agir, tentar, nos importar, tocá-los, uni-los e decidir sobre questões que trarão um envolvimento e comprometimento maior.

Desta maneira, poderemos manter nossos alunos evitando a desmotivação, e se por algum motivo que foge ao nosso controle desistências acontecerem, pelo menos fizemos o melhor para conseguir um bom trabalho. Até os alunos desistentes reconhecerão seus esforços e levarão com eles lembranças de um curso de qualidade.

Ouvi um tempo atrás uma história que me tocou muito e que se aplica a este post.

Fizeram uma experiência com dois sapos. Colocaram o 1º em uma panela com água fria que foi sendo aquecida aos poucos. Quando a água já estava fervendo, o sapo não pulou e morreu. O 2º sapo foi jogado numa panela com água fervente. Logo que sentiu a água super quente pulou desesperadamente.

Moral da história: é fácil nos acostumarmos com situações ruins quando convivemos com ela sem atitude alguma.

Por isso, quando “a água começar a esquentar” é preciso tomar uma atitude, ou seja, assim que percebermos algo que não esteja facilitando o aproveitamento de nossos alunos, precisamos agir e encontrar soluções criativas e alternativas.

E você, como tem agido com seus alunos? Envie seus comentários…Será um prazer trocar ideias com você….