“Eu quero falar, mas não quero usar livro”, esse é o discurso de muitos alunos que buscam por aulas particulares. Ao contratar um professor, o aluno tende a ter uma alta expectativa e a fazer algumas exigências. Muitos professores optam por atender aos pedidos dos alunos, mas será que é a melhor opção?

Primeiramente, vamos entender a percepção do aluno. Em mais de quinze anos de experiência com aulas particulares, ao entrevistar o aluno e perguntar por que ele não quer usar um livro, a resposta é “eu não quero mais ficar completando exercícios de gramática, eu quero falar”. Percebemos então, que o problema não está no livro e sim na dinâmica das aulas.

Um outro discurso de aluno, bem contraditório é “Eu adorava meu professor particular, mas resolvi cancelar o curso porque ele não seguia uma metodologia, trazia uma folhinha toda aula”. Esse comentário pode ser bem frustrante para nós professores, pois levamos horas preparando essa “folhinha”.

Preparar atividades do zero é trabalhoso e leva tempo. Infelizmente, muitas vezes, o aluno não percebe a dedicação e o tempo investido pelo professor. Além disso, se cada aula for um tema aleatório e não houver uma sequência, o aluno tem dificuldade em mensurar o seu progresso.

Como resolver o problema?

Adotar um material didático é uma ótima opção para que o professor possa ter uma estrutura para trabalhar. Por ser aulas particulares, o professor não precisa seguir à risca e usar todas as atividades propostas, a gestão da aula pode ser mais flexível.

Quanto às atividades, elaborar um plano de aula que inclui uma ampla gama de recursos pedagógicos, ajuda a dinamizar e envolver o aluno. O professor pode trabalhar com vídeos, jogos, imagens, atividades de listening, reading, writing e até grammar, mas sempre intercalando momentos de speaking.

Cada atividade precisa ter um objetivo claro, com começo, meio e fim. Tudo precisa ser pensado: “O que meu aluno irá saber após essa atividade?” “Como irei introduzir a target language?” “Como farei com que meu aluno utilize a target language?” É neste ponto que o teacher’s guide do material didático pode auxiliar o professor. As atividades geralmente estão ligadas por algum assunto ou ponto gramatical e é possível encontrar dicas de como trabalhar cada uma delas.

Material exclusivo

Há professores que gostam de criar materiais. Nesses casos, ainda assim, é possível adotar um material base e customizar as atividades propostas. Esta é uma opção bem vista pelo aluno, pois este percebe que a sua aula é exclusiva e o professor agrega valor.

Se ainda assim, você optar por não adotar um livro, fique atento às dicas:

  • Crie um plano de curso com revisão e quiz
  • Tenha momentos de feedback
  • Crie conteúdo variado e inclua todas as habilidades (Reading, writing, listening e speaking).
  • Inclua atividades complementares no planejamento (homework, plataformas de exercícios online, leitura de artigos, podcasts etc.) e acompanhe se o aluno está realizando atividades extras.

Com ou sem livro, o importante é guiar o estudante e acompanhar o seu progresso. Celebre momentos de sucesso e motive seu aluno a ser resiliente e a focar em seu objetivo. Afinal, tudo o que ele quer é falar.