Escrever é poder visualizar pensamentos e sentimentos, eternizar planos ou intenções… Pode ser uma experiência maravilhosa para aqueles que se arriscam e frustrante para aqueles que não tentam…

Como o e-mail pode nos ajudar a estimular alunos relutantes a escrever e aprimorar esta habilidade tão importante?

Neste post compartilharei minha experiência, baseada neste assunto, com vocês. Será um prazer contar com a sua participação.

E-TALK:

“Ligo meu computador, espero impacientemente a conexão…estou conectada, e minha respiração fica presa…até ouvir três palavras… ‘mensagem para você’”(do filme “Mensagem para você”- Warner Home Vídeo)

Quantas vezes não nos sentimos desta forma ao aguardar e-mails? Notícias importantes, mensagens significativas de alguém especial…

Desde que comecei a utilizar o e-mail fiquei muito feliz em perceber que voltamos a desenvolver uma habilidade que estava sendo meio esquecida entre nós: a escrita.

Notei que a abordagem maior na comunicação se dava oralmente, através de encontros ou telefonemas. Até um tempo atrás, poucas pessoas utilizavam cartas para se comunicar, talvez pela demora que o envio e a elaboração das mesmas pudesse implicar. Entretanto, quando a internet chegou como ferramenta de comunicação principalmente através do e-mail, fomos “estimulados”a escrever com maior freqüência e hoje praticamente nosso trabalho não seria o mesmo sem o uso deste recurso.

Esta visão em relação ao e-mail ficou mais clara quando utilizei esta ferramenta para comunicar-me com meus alunos, em inglês.

Costumava enviar-lhes mensagens simples, como recados em relação ao horário das aulas ou sugestões quanto às tarefas de casa. A minha preocupação maior foi quando percebi que, ao me enviarem as respostas os alunos apresentavam grande dificuldade em expressar-se. Mesmo estudantes de nível intermediário estavam cometendo erros básicos de estrutura e ortografia.

Senti, então, que os exercícios escritos dados em aula não eram suficientes para que os alunos ficassem envolvidos e desempenhassem as tarefas com maior desenvoltura. Influenciada pela necessidade destes alunos “falarem” inglês, acabei enfatizando a fala em minhas aulas e deixei a escrita em segundo plano.

Através desta experiência , em que recebi e-mails escritos com dificuldades por meus alunos, decidi agir rapidamente para que pudesse auxilia-los na produção de suas mensagens.

Elaborei, então, um “virtual club”( clube virtual) onde os participantes pudessem enviar mensagens uns para os outros para conhecerem-se melhor. Como sou professora particular de inglês, meus alunos não se conheciam e esta também seria uma maneira de aproximá-los, utilizando o inglês como ferramenta. As mensagens escritas seriam enviadas para mim primeiramente para que eu pudesse corrigi-las e reenviá-las ao remetente com uma cópia ao destinatário. ( Note que as anotações em relação ao texto corrigido só seriam enviadas ao remetente).Estaria trabalhando como uma mediadora entre o remetente e o destinatário.

Esta abordagem foi discutida antes com os alunos envolvidos, pois preocupei-me em encontrar uma maneira adequada para corrigi-los. Quando comecei a receber e-mails em inglês de meus alunos, notei vários erros, mas não os corrigi imediatamente. Respondi as mensagens naturalmente e perguntei-lhes no final se gostariam que seus e-mails fossem corrigidos. Todos responderam que sim. Desta forma, resolvi criar uma maneira de correção que não comprometesse a fluência e espontaneidade dos estudantes envolvidos. Por isso resolvi agir como “ponte” entre os alunos participantes.

Alguns aprendizes participaram do clube, mas a maioria ainda estava um pouco relutante.

Uma segunda ideia, então, veio à minha mente. Utilizei textos, composições de alguns alunos para estimular outros a escreverem.

Após a correção de trabalhos interessantes, pedi permissão aos autores para enviá-las a outros colegas.

Com esta autorização, enviava estas composições a todos os meus alunos e então pedia comentários sobre os textos. A reação deles foi muito interessante. Alguns enviaram comentários que foram corrigidos e direcionados para os autores dos textos e houve até um caso de um aluno que escreveu uma outra composição baseando-se naquela que foi lida.

Fiquei motivada com esta reação e então percebi que estava no caminho certo. Enviei então “book reviews”, “short stories”, “argumentative compositions” escritas por alunos para outros, agindo sempre como mediadora.

Enviava também cartas de alunos que estiveram estudando por algum tempo juntos e que por algum motivo tiveram que estudar em horários diferentes. Foi uma maneira de reaproxima-los e manter contato através do inglês.

Procurei ser mediadora entre os alunos também por observar algo que usuários da internet enfrentam quando comunicam-se em outro idioma.

Geralmente as mensagens do dia-a-dia são escritas sem a orientação de um professor, o que faz com que pessoas se acostumem com erros ortográficos e gramaticais.

Por isso, como educadora, aproveitei esta oportunidade para apoiar alunos em suas produções escritas, dando ideias, estabelecendo relações e envolvendo-os para que pratiquem o idioma de forma fluente e precisa, sem ,no entanto, criar dependência. A intenção verdadeira era a de continuar o trabalho iniciado em sala da aula e incrementá-lo através do e-mail.

Além disso, acredito que escrever é fascinante e quando alunos percebem que podem aprimorar a fala usando este recurso, ficam motivados a desenvolver sua fluência e criatividade no idioma, produzindo atividades escritas cada vez mais significativas e interessantes.

E você, caro professor de idiomas! Já utilizou o e-mail como ferramenta motivadora para que alunos escrevam com maior desenvoltura?

Compartilhe sua experiência conosco ou mande seus comentários. Seria um prazer trocar ideias com você!!!