Durante uma aula como qualquer outra um professor com vários anos de experiência decide fazer uma dinâmica e coloca todos os 14 alunos para conversarem animadamente entre si, sobre um assunto que todos gostavam. Ao final da dinâmica, o professor falhou em redirecionar a atenção de toda a turma de volta para ele e começou a explicar outra coisa sem ninguém lhe dar ouvidos.

Algumas frases depois, o professor irritado com a falta de atenção dos alunos franziu a testa, fez uma voz mais grave de volume alto e disse:

– Quem aqui está prestando atenção em mim?

angry-teacher

O silêncio tomou conta da sala, já que a turma toda ainda estava tomada pela atividade anterior.

E ele continuou:

– Ainda nas duplas em que vocês estão, diga para a sua dupla o que eu acabei de falar nessas últimas duas frases.

Claro que ninguém conseguiu repetir e aí o professor soltou, com tom bem irritado:

– Tão vendo só? Eu estou aqui falando sozinho e ninguém está prestando atenção!

Para finalizar com essa pérola:

– Depois chega na hora da prova e ó! (gesto obsceno) Não sabe responder e se f***!

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O que me assusta é como nós professores estamos condicionados a repetir as ações do passado a que fomos submetidos sem nenhuma forma de questionamento crítico, como se aquele fosse o único jeito de se fazer aquilo.

Chega a ser alarmante como ainda hoje a incongruência de gritar “queremos mudanças na educação!” esbarra no terrorismo psicológico com os alunos em torno das provas, por exemplo.

Até que ponto tantas pessoas que “dão branco” na hora da prova não o sofrem porque ficaram assustadas com tantos professores aterrorizando aquele momento da avaliação?

Até que ponto o professor tem sim uma parcela de culpa por fazer bullying com o aluno quando antecipa negativamente uma prova por meses e quando ela chega faz questão de enchê-la de “peguinhas”, coloca uns óculos escuro para vigiar os alunos e ainda fica fazendo piadinhas de mal gosto?

O pai que apanhou de cinto do pai dele agora bate de cinto no filho, seguindo a mesma ação inconsciente da boiada.

Afinal de contas, as coisas sempre foram assim por aqui.

Não quero entrar no mérito de quão efetivas são as avaliações, quero apenas através deste texto lhe convidar a 2 reflexões:

  1. Se você aplica provas, o quão “corriqueiro” você as deixa transparecer? Sim, porque o momento da prova não é para ser temido já que é só mais um momento dentro dos vários que acontecem dentre as aulas. Não é “vida ou morte”, apenas um instrumento para o professor e a instituição pedagógica poderem medir como anda a assimilação de conteúdo.
  2. Quanto você reflete sobre as suas ações enquanto professor? Quanto, de quantidade mesmo. É certo que inconscientemente você repete ações pelas quais foi submetido enquanto aluno achando que aquele é o jeito certo de se lidar com tal situação.

A sugestão aqui é: reflita! Reflita sobre o que você fez hoje nas suas aulas. Sobre o que você falou hoje nas suas aulas. Sobre o que o aluno pode ter sentido quando você fez aquela piadinha aparentemente inofensiva. Sobre que tipo de professor você quer ser.

Se puder tirar algo de todo este texto, por favor, que seja a necessidade de reflexão constante sobre a sua prática.

Vinicius Diamantino
Opa, tudo joia? Meu nome é Vinicius Diamantino, eu sou o fundador da DeProfPraProf, Professor de Inglês há mais de 10 anos, Master Coach e Treinador de Professores, criador do blog www.deprofpraprof.com.br e de vários cursos para professores particulares. Fique à vontade para entrar em contato comigo pelo contato@deprofpraprof.com.br! 😉