Era o dia da reunião de pais, o primeiro do ano, aquele em que é feita a apresentação oficial da equipe de professores além das orientações gerais da escola em relação ao uniforme, horários de entrada, faltas, notas e tudo mais que organiza a rotina escolar. A sala estava bem cheia, muitos pais se reencontravam após o período de férias e aproveitavam os minutos antes da reunião para conversarem. No horário previsto para o início a diretora da escola usou de uma estratégia para chamar a atenção dos pais: começou a estalar os dedos. Os professores, que estavam todos posicionados também à frente da sala, repetiram o gesto encorpando o som dos estalos e, em questão de segundos, todos os pais olharam para a frente, silenciando suas conversas e posicionando-se para ouvir o que a diretora tinha a dizer na abertura da reunião. Estalar os dedos é um dos recursos que podem ser utilizados quando, diante de uma sala barulhenta de alunos, precisamos chamar a atenção para iniciar ou retomar uma determinada atividade.

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Na sala de aula da pós-graduação duas outras estratégias foram usadas, mas uma delas foi mais bem sucedida do que a outra. Vamos entender o porquê. Uma das professoras, no início do curso, explicou que as aulas seriam mistas entre momentos de aula expositiva e momentos de produção em grupos. Cada vez que uma questão fosse proposta para ser discutida nos grupos ela iria estimar um determinado tempo para o trabalho, que variava entre 10 e 15 minutos. Ao término do tempo, para que pudéssemos encerrar as discussões e voltar a atenção para a professora, ela levantava um dos braços e o mantinha erguido até que os alunos iam percebendo o gesto e o reproduzindo, sinalizando para os mais desatentos que era a hora de interromper a conversa.

Atividades em grupo também foram propostas durante as aulas de um outro módulo. Após um determinado momento de apresentação das teorias a professora abriu para que os grupos discutissem alguns pontos e, na sequência seria feito um fechamento. Neste caso, no entanto, não foi estabelecido um tempo para o trabalho. Em determinado momento a professora precisava retomar a atenção da classe para seguir com a aula. Cerca de 50 adultos podem ser bastante barulhentos e a primeira tentativa, com a voz, falhou. A segunda medida tomada foi apagar e acender as luzes. Essa ação fez com que os alunos olhassem para quem estava mexendo no interruptor e… continuassem debatendo.

O que diferencia uma estratégia bem-sucedida de outra nem tanto? Um fator é importantes de ser observado quando você decidir adotar uma estratégia para chamar a atenção dos alunos e retomar o controle da sala após um determinado momento de abertura para um trabalho mais livre (e barulhento). O segredo é o combinado. Se você estabelece com os alunos uma regra e especifica o que você espera deles quando realizar uma determinada ação, você está fazendo um acordo com eles e, portanto, eles sabem como devem responder. Parece simples e é e funciona dentro e fora da escola. Meu filho mais velho participa de um grupo Escoteiro. Ele faz parte da Alcateia, a fase para crianças de 7 a 11 anos. O chefe da Alcateia, quando precisa reunir o grupo, chama: “Lobo, lobo, lobo” e os lobinhos em coro respondem “Lobo!”. Quando assim o fazem, interrompem qualquer outra atividade e se aproximam do chefe pois sabem que ele tem algo a dizer.

Adotar uma estratégia do tipo “resposta” é uma das opções que você tem para receber a atenção dos alunos quando precisa dar uma instrução ou iniciar um momento de explicação, correção ou qualquer outro em que o silêncio se faz necessário. Há aquelas em que você usa a voz como o bom e velho “Pam pamram pam pam…” e eles respodem “pam pam!” ou a estratégia do “Give me Five” onde você diz “Five!” e os alunos vão fazendo a contagem regressiva dos demais números ao mesmo tempo em que reduzem o tom de suas vozes até que o “One” saia bem baixinho, quase como um sussurro. Há também aquelas que usam apenas gestos como o de levantar a mão ou estalar os dedos. Há algumas divertidas como a do chapéu, você conhece? Um professor descolado que conheci certa vez levava para a sala de aula um daqueles chapéus altos e coloridos que costumamos usar nos dias dos jogos da Copa do Mundo, por exemplo. Os alunos sabiam porque foram previamente avisados que quando o professor colocasse o chapéu na cabeça era hora de focar nele todas as atenções. Silenciosamente, com apenas um gesto, o professor conseguia o que pretendia. O seu perfil, enquanto professor, será decisivo para a escolha daquela estratégia em que você se sinta mais confortável. Lembre-se que as chances de sucesso são diretamente proporcionais ao fato dos alunos saberem o tipo de comportamento ou resposta que você espera deles. Assim, se você ainda não tem uma estratégia preferida mas sente a necessidade urgente de adotar uma a primeira coisa a fazer é um combinado com os alunos.

Milena Claus
Fundadora da YouZ Sistema de Ensino Bilíngue, Pedagoga graduada pela Universidade de São Paulo (USP), pós-graduada em Psicopedagogia Educacional. English teacher e Coordenadora de Ensino nas principais escolas de idioma do país.