Há alguns anos, Jihad Mohamad Abou Ghouche, autor do livro “ Fale árabe em 20 lições” da Disal Editora, escreveu esse artigo “Falar árabe é tão difícil quanto parece?” para a revista New Routes – edição 42. Recentemente, Jihad ganhou destaque com seu canal do Youtube ao publicar um video traduzindo a música de fundo da campanha do Guaraná Antarctica para a Copa do Mundo a pedido de seus alunos. Confira abaixo o texto na íntegra e os vídeos.


FALAR ÁRABE É TÃO DIFÍCIL QUANTO PARECE?

Não, não é. Primeiro é importante esclarecer um equívoco coletivo ou, pode-se dizer, “mito” que Árabe é tão difícil quanto Chinês, “aquele monte de minhoquinhas, com pontos em cima e embaixo”. É verdade, à primeira vista, parece alienígena: (tradução: à língua árabe).

Mas vamos aos fatos: Árabe diferentemente de algumas línguas do extremo oriente, possui um alfabeto com (apenas!) 28 letras. Em sua maioria, essas letras têm o som praticamente igual as do português: (B) (T) (J) etc… Outras são totalmente desconhecidas a quem tem o Português como língua materna, mas de fácil assimilação para outros, um exemplo é a letra que emite um som parecidíssimo com o j do Espanhol em (hijo) ou a letra que emite exatamente o som de th do inglês em (think).

O que dificulta a escrita árabe, e isso é muito interessante, é que as letras não ficam lado a lado quando palavras são formadas como em Português, Inglês, Francês, etc… O que ocorre em árabe é que as letras se fundem umas nas outras, em outras palavras, elas se modificam, perdem muito da forma original (de quando estava solitária no alfabeto) quando ligadas umas as outras. Vou explicar melhor e com exemplos: para escrever “cabelo” em português, basta posicionar as 6 letras lado a lado, mesmo que se escreva em letra cursiva “cabelo”, identificam-se as letras que apenas “ deram-se as mãos” para formar uma palavra. Já em Árabe para escrever “cabelo” são usadas as seguintes três letras (aqui separadas) (Ah! A escrita é da direita pra esquerda, ok?) Daí para escrever “cabelo” as letras se misturam e a palavra fica assim O que aconteceu?! As letras se modificaram, cada uma de acordo com sua posição na palavra, início, meio, ou fim. Não são todas as 28 letras que se alteram, mas a maioria delas. É isso que torna a escrita e a leitura um pouco difícil.

E para falar? Para aprender a falar e entender não é necessário aprender a ler e escrever em árabe. É assim: Ensina-se a transcrição fonética com os caracteres ocidentais, então, por exemplo, quer aprender a perguntar a alguém como ele se chama? Diga: CHU ISMAK? quer dizer “eu moro sozinho”: ANA BESKUN LAHALI.

Isso não é novidade, ensinar a conversação e compreensão de línguas orientais com caracteres ocidentais. Mas parece que nos últimos anos esta prática está sendo bem mais utilizada, talvez devido à pressa da globalização. Se fosse alfabetizar um adulto em árabe, começando pelo a, b, c… até fazê-lo conseguir se apresentar oralmente levaria no mínimo 2 anos. Já concentrando o ensino na conversação e compreensão, obtém-se resultados em apenas 6 meses!

O árabe coloquial falado realmente não é difícil, para um adjetivo masculino virar feminino basta acrescentar I no final, baixo = ASIR e baixa = ASIRI, o verbo ser/estar no presente não existe, para dizer “ela é bonita“ = HIE HELUI. A conjugação dos verbos no presente não é facílima como em inglês, mas muito mais fácil que em português. Já viu a cara de um estrangeiro aprendendo português quando se depara com um simples verbo como “ver” que conjugado faz aparecer letras do além: eu vejo, tu vês… (e eles perguntam: de onde veio esse -jo e -ês? O verbo não era v-e-r ?)

O verbo comer em árabe é EKOL, conjugado no presente fica assim:

ANA BEKOL (eu como)
INTA BTEKOL (você – masculino – come)
INTI BTEKOLI (você – feminino – come)
HUE BIEKOL (ele come)
HIE BTEKOL (ela come )
NAHNA MNEKOL (nós comemos )

INTU BTEKOLU (vocês comem )

HINNI BIEKOL (eles / elas comem)

Repare que o verbo ficou em sua forma original e a ele

foram acrescentados prefixos (B, BT..) ou sufixos ( I , U ). O mesmo ocorre com centenas de outros verbos: ver = CHUF, estudar= EDRUS, falar= EHKI … é só seguir a regra.

Algumas pessoas, após conseguirem se comunicar bem oralmente em árabe, usando este método, procuram aprender a escrita, e conseguem esse objetivo com menos dificuldade. Já a maioria quer mesmo é saber falar e entender.

Aprender uma língua estrangeira em suas 4 habilidades já existia, mas saiba agora que há métodos e materiais que criam atalhos para quem quer aprender a falar e entender num prazo bem menor outras línguas, cuja a escrita parece, mas não é de outro mundo.

Onde e por quem o Árabe é falado?

O Árabe é a língua nativa de 21 países. Na Ásia são 12: Líbano, Síria, Palestina, Jordânia, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita, Omã, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Qatar e Iêmen. Na África (mais precisamente ao norte) são 9: Egito, Somália, Sudão, Líbia, Tunísia, Argélia, Marrocos, Mauritânia e Djibuti.

O número de falantes desses países chega aos 350 milhões segundo os dados mais recentes. Além desses, estima-se que há outros 50 milhões (no mínimo) de pessoas que falam bem Árabe mundo a fora, devido à descendência e a religião Muçulmana.

Entenda melhor: Árabe é uma etnia. A maioria dos árabes é adepto da religião muçulmana, mas há também árabes que seguem o cristianismo, o judaísmo e outras doutrinas.

Agora pense o contrário: Nem todo muçulmano é árabe. Aliás, há mais de 1 bilhão de muçulmanos no mundo, e menos de um terço deles são árabes! E o que a língua árabe tem a ver com o islamismo? Tudo. É que o livro sagrado dos muçulmanos, o Alcorão, está em árabe.

Ele pode ser traduzido para outros idiomas, apenas para a compreensão geral. Porém, na hora de rezar, quando é necessário recitar o Alcorão. Isso só pode ser feito na língua em que o livro foi revelado: Árabe.

Então, em vários países, não-árabes que são muçulmanos, e que, praticando a religião, acabam aprendendo a se comunciar no idioma. Um bom exemplo é a Indonésia, que é o maior país muçulmano do mundo, com aproximadamente 195 milhões de habitantes. Lá, é possível encontrar bastante gente com os olhos puxados que fala árabe. Interessante, não é?

O autor

Jihad Mohamad Abou Ghouche é brasileiro, descendente de libaneses. Aos 10 anos se mudou para o Líbano com toda a família, onde concluiu o ensino fundamental e médio em uma escola bilíngue (Árabe / Inglês). Em seguida estudou literatura inglesa e americana. Retornou ao Brasil na década de 90 e fez de seus conhecimentos em línguas sua profi ssão. Jihad acumula 25 anos de experiência no ensino de idiomas e já lecionou para alunos de praticamente todas as faixas etárias, dos 4 aos 80 anos.

Ele é autor dos livros:

– Fale Árabe em 20 Lições

– Meus Primeiros Passos no Inglês

– Melhore Seu Inglês

– Solte a Língua em Inglês

– Pratique Conversação em Inglês

Todos pela Disal Editora

Contato: parajihad@hotmail.com

Disal Editora
Fundada em 2003 por Francisco Canato, Renato Guazzelli e José Bantim Duarte, profissionais com longa experiência na área editorial, a Disal Editora já superou a marca de 350 títulos publicados. A Editora é hoje uma ativa participante do mercado editorial.
A preocupação com a qualidade dos seus produtos, tanto no que se refere ao conteúdo, como ao aspecto físico, tem sido o princípio básico que orienta as atividades da Disal Editora, cuja linha editorial se concentra nos livros de idiomas e de interesse geral.
No final de 2008 a Disal Editora ampliou a sua linha editorial graças a um acordo com a Editora Helbling, o que lhe possibilitou publicar 110 títulos de paradidáticos (readers) de Inglês até o momento.
Os planos para o futuro apontam para uma ampliação cada vez maior da linha editorial sempre comprometida com a qualidade.