Você já refletiu sobre como a pressão que, muitas vezes, o mercado de trabalho impõe pode impactar na vida pessoal e, até mesmo, no desempenho das funções de alguns profissionais?

No último post, discorremos sobre a exaustiva demanda de habilidades e qualificações imposta aos professores da educação bilíngue, com foco no currículo ideal – e impossível – para o profissional dessa área. Dessa vez, gostaríamos de ponderar sobre um outro aspecto dessa discussão, colocando em foco o professor, enquanto indivíduo, e o reflexo dessa demanda exacerbada.

É correto afirmar que esse quadro de exigências excessivas faz com que muitos professores tangenciem outras necessidades sociais importantes, além de contribuir para a criação de uma competitividade maior no mercado de trabalho. O ponto central do conflito produzido nesse cenário, no entanto, é a possibilidade dessas demandas profissionais gerarem indivíduos ansiosos, estressados e, assim, os distanciarem, em sua essência, do próprio perfil que o ofício exige. Afinal, não devemos esquecer que esses professores, e aqui lembro do recorte voltado à educação bilíngue, lidam com crianças e adolescentes nos estágios mais férteis do desenvolvimento da personalidade e de grande parte dos valores que levarão para o resto de suas vidas.

Tendo em mente a importância das interações entre aluno e professor, não é novidade dizer que um bom professor deve, acima de tudo, trabalhar sua inteligência emocional, pois é dela que vão partir as qualidades essenciais para exercer sua função. A busca pela qualificação e pelo conhecimento acadêmico é muito importante, mas não deve, em hipótese alguma, ter um parâmetro mercadológico estereotipado a ponto de drenar as habilidades de relacionamento interpessoal fundamentais aos professores. Não obstante, um indivíduo incapaz de gerir suas próprias emoções é um professor incapaz de controlar sua turma e guia-la ao aprendizado.

Assim, devemos lembrar que o conhecimento é uma ferramenta indispensável, porém bons professores são aqueles que extrapolam o saber e se empenham em encontrar diferentes maneiras de ensinar e, o que é ainda mais louvável, de educar. Bons professores, muito além de conhecerem a disciplina que lecionam, são aqueles que se importam genuinamente com o aprendizado de seus alunos, sentem empatia real por eles e estão cientes de que essa interação é base da dinâmica que concebe a aprendizagem.

Uma constatação irônica, contudo, é que todas essas habilidades, as que transformam um conhecedor em um professor, não constam em currículos e tampouco são ensinadas em workshops: elas são fruto da formação emocional e psíquica que, muitas vezes, são tangenciadas pela na busca pelo “profissional ideal”.