It depends on the context: essa velha conhecida frase pode representar muito mais do que o senso comum. Uma das acepções de contexto, segundo o dicionário Michaelis é: “aquilo que constitui a totalidade do texto”. Ora, podemos, então, afirmar que uma ideia só é completa em relação àquilo que almeja comunicar quando contextualizada? Nessa conjuntura, o aprendizado de línguas é facilitado quando faz parte de um contexto familiar aos alunos?

Para ser direto, acredito que as respostas de ambas as perguntas sejam: sim. Mas antes de lidarmos com esses questionamentos, a fim de exemplificar a tamanha importância do contexto, vamos começar de forma mais singela: no simples significado individual de uma palavra. Podemos pensar em um exemplo do quanto o contexto determina o significado dessa palavra e a totalidade da transmissão da mensagem com o seguinte cenário: um aluno se depara com a palavra run e, mentalmente, sonda o significado dela. “Fácil, run representa mover-se rápido, deslocar-se de um lugar para o outro. Certo?” Well, aqui volta o bordão: it depends on the context.

Na frase “How many candidates are running for president this year?“, o significado realmente compreende deslocar-se rapidamente entre lugares? Não. E na frase “He left the programme running, so don’t turn off his computer” há algum movimento físico por parte do sujeito da frase? Também não. Se formos mais a fundo, podemos perceber a infinidade de sentidos que run pode ter, ou seja, seu real significado se completa no texto e o texto se completa com seu significado. Esse fenômeno se chama polissemia, quando uma mesma palavra ganha diferentes significados no uso devido a associações metafóricas e metonímicas, o que, conforme a passagem do tempo e a transformação da língua, acontece naturalmente.

Enquanto humanos, procuramos variadas formas de nos expressar e, para isso, damos novos significados às palavras, transformamos nosso léxico e adaptamos nossa realidade expressa de forma verbal. Mario Perini, estudioso e autor de livros sobre linguística, afirma que a polissemia confere às línguas a flexibilidade de que elas precisam para exprimirem todos os variados aspectos da realidade.

Agora que já refletimos quanto a importância do contexto para exprimir o significado das palavras, individualmente, podemos notar de forma mais ampla como esse fator pode ser determinante, também, para agregar significância à ideias e discursos, o que nos remete às questões iniciais de nossa discussão.

No que tange ao aprendizado de idiomas, a contextualização pode acontecer usando a interdisciplinaridade, numa troca onde o contexto (formado pelas disciplinas já familiares aos alunos) e o objetivo (ensinar a língua) são elementos que se completam, algo que acontece no Ensino Bilíngue. Como ressalta Milena Claus, fundadora da YouZ Sistema de Ensino Bilíngue, em seu texto Aprender a usar a língua e usar a língua para aprender, “a integração de conteúdo e língua permite que os alunos aprendam em um ambiente onde a língua é vista como um meio e não como um fim em si mesmo, (…) partindo de temas de estudo que já foram iniciados em português para que sobre eles o aluno possa fazer novas conexões, ampliando e reconfigurando ideias já existentes em sua estrutura mental e consolidando o conhecimento”.

Afinal, se o contexto é um elemento central da totalidade da mensagem, por que a contextualização do discurso e da temática de aula não seriam aliados interessantes como ponte na comunicação entre professor e aluno em língua inglesa?