Como encontrar jeitos ou maneiras para enfrentarmos desafios em sala de aula?

Como um problema em sala de aula pode tornar-se um desafio?

Como um curso que não deu certo pode dar certo?

Como fazer com que funcione novamente?

Através deste post participantes serão estimulados a refletir e compartilhar ideias para aprimorar aulas e incrementar cursos de idiomas, respeitando o momento de cada aluno.


Para iniciar este post, gostaria de fazer uma brincadeira com você, caro profissional de idiomas. Imagine-se dizendo as seguintes frases a um aluno, conforme a indicação de humor entre parênteses:

“Gostei do seu trabalho!” (de maneira cansada)

“Parabéns!” (de maneira autoritária)

“Não faça assim!” (de maneira dócil)

“Faça a lição de casa!” (de maneira feliz)

“Você está perturbando a aula!” (de maneira compreensiva)

“Continue assim!” (de maneira zangada)

“Tente novamente!” (de maneira persuasiva)

“Você pode fazer isto melhor!” (de maneira convincente)

É interessante notar que a maneira como você coloca suas ideias, o tom de voz principalmente, pode pesar muito na mensagem a ser transmitida. Muitas vezes não percebemos como a entonação e o modo como falamos com nossos alunos são importantes para mostrarmos emoções e assim sermos mais autênticos em nossa comunicação.

Geralmente entendemos melhor o que o outro diz pelo entusiasmo, agressividade, indiferença ou outra manifestação emocional do locutor.

Portanto, ao dizer “gostei de seu trabalho” de maneira cansada ou indiferente não provocará o mesmo efeito se a mensagem fosse dita com alegria.

Estes parecem ser detalhes simples, mas que podem fazer uma grande diferença.

Até profissionais de outras áreas que costumam comunicar-se através de e-mails tentam usar o telefone como recurso para ouvir a voz do outro e confirmar as intenções da mensagem escrita.

Podemos perceber também a forma como corrigimos redações , acrescentando comentários. Além daquilo que está escrito, se o professor puder comentar algo oralmente para aquele aluno de maneira construtiva, irá causar um impacto mais suave e menos assustador. O professor poderia até sorrir ao avaliar o trabalho do aluno, mesmo que esteja criticando alguns aspectos. Uma crítica assertiva e construtiva é sempre bem-vinda.

Outro ponto que gostaria de fazer uma reflexão seria o de lidarmos com nossas impressões e reações. Qual seria a sua atitude imediata na seguinte situação? O que você faria?

Você recebeu um relatório sobre uma turma que assumiria no próximo semestre. No final do relatório o professor , seu colega, colocou o seguinte comentário: “Este grupo é muito barulhento; é muito difícil de lidar”.

Como primeira reação, qualquer professor poderia sentir-se temeroso em assumir uma turma como aquela. Porém, ao entrar realmente em contato com o grupo, poderia perceber os alunos de maneira diferente, entendendo até “o porquê” do barulho. Conseguiria até verificar que a turma era muito inteligente, mas também entusiasmada demais a ponto de fazer barulho. O que o grupo necessitava era um pouco de disciplina, respeitando algumas regras em aula, como por exemplo, ficar em silêncio enquanto uma pessoa estivesse falando. De maneira lúdica, poderia até usar um balão que quando fosse tocado por um aluno, significaria que aquele o seguraria e pudesse falar.

Assim, é importante ponderarmos os comentários de outros profissionais com nossas próprias percepções. Trabalhando em conjunto e participando ativamente das decisões educacionais, podemos tornar a sala de aula um ambiente mais agradável e compreensivo.

É preciso ouvir o outro e tentar compreendê-lo para que possamos ser ouvidos e compreendidos.

Um outro momento importante a considerarmos seria a fase da avaliação. Geralmente, alunos ficam desmotivados quando são reprovados em testes. No entanto, é possível diagnosticar dificuldades e propor soluções criativas para superá-las.

Lembro-me de um caso contado por uma professora de espanhol que participou de uma de minhas oficinas pedagógicas. Ela era argentina e contou ao grupo como seu professor na faculdade aplicava testes. Aquele mestre marcava a data da prova e no dia do teste pedia aos alunos escreverem em folhas de papel todas as dúvidas que tinham sobre aquela matéria. Recolhia as folhas e ia explicando aos poucos, solucionando problemas e atraindo os ouvintes.

Passava o tempo do teste esclarecendo dúvidas e remarcava a prova para um outro dia. Os alunos, surpresos pela atitude do professor, ficavam mais confiantes e obtinham bons resultados no exame.

Formas criativas como esta costumam cativar o aluno. Observando-o e tentando envolvê-lo aos estudos podemos também transformar desistências em “desistências temporárias”.

Quando um aluno particular, por exemplo, sentir que não pode continuar o curso devido a motivos pessoais, podemos compreender este momento deixando-o voltar quando puder, porém oferecendo assistência a distância (por e-mail). Mantendo o contato com ex-alunos através de exercícios breves por e-mail é uma boa alternativa para que estejam reciclando o idioma e lembrando-o de sua boa vontade e disponibilidade em ajudá-lo em outro momento mais apropriado.

Jeitos e maneiras podem ser analisados na elaboração de atividades também, que podem a princípio parecer cansativas mas com um pouco de criatividade podem tornar-se interessantes e envolventes.

Jogos, ilustrações, filmes , canções e vivências auxiliam o professor a tornar as aulas mais atraentes.

Lecionava um grupo em uma escola de inglês a qual adotava um livro que falava sobre um país estrangeiro a cada lição. Na época, não existiam tantos recursos como a internet. No entanto, isto não nos impedia ir ao consulado pesquisar sobre o país, elaborar seminários e vivências com o chá inglês, uma canção dos Beatles e folhetos sobre lugares turísticos, por exemplo, para introduzir uma lição sobre a Inglaterra.

A adaptação de materiais didáticos pode ser feita com a observação constante em sala de aula, verificando o que o aluno é capaz de fazer e estimulando ao mesmo tempo sua curiosidade. Com criatividade e bom senso aulas podem fluir bem, tornando significativo o aprendizado.

Penso em minhas aulas e verifico que tento tocar o aluno como um todo, conhecendo-o, e falando “o mesmo idioma”. Somente assim consigo fazer com que se interesse pela matéria. O processo pode ser mais rápido ou lento para alguns alunos, porém, respeitando o ritmo dos mesmos resultados positivos são geralmente obtidos.

E você, caro professor de idiomas, de que maneira conduz seus alunos? Envie seus comentários… Seria um prazer trocar ideias com você!


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