Gostaria de compartilhar com vocês neste artigo algumas reflexões sobre a leitura no ensino de idiomas. É possível motivarmos alunos a ler se estivermos entusiasmados também. O ato de ler pode ser muito prazeroso… Acredite!

Como você, caro profissional de idiomas completaria estas frases:

“Gosto de ler quando……………………………………………..

“Não gosto de ler quando ………………………………………..

Observando alunos e professores durante meus anos de experiência profissional, pude notar que a maioria gosta de ler quando não se tem um “obrigação direta”, ou seja, quando podemos optar pela leitura, estimulados pela nossa curiosidade natural. No entanto, quando somos “forçados” a ler para acompanharmos um curso, por exemplo, podemos ficar desmotivados quanto à leitura.

Lembro-me de estudantes universitários que ficavam bem estressados só de pensar nas leituras impostas que deveriam fazer. Apesar de apreciarem o assunto, sentiam-se esgotados ao precisar ler algo que não era de suas escolhas.

Até o professor pode sentir-se desmotivado ao ler algo que não o interesse, como por exemplo, um livro recomendado pela coordenação da escola em que trabalha.

O que fazer neste caso? Como motivar um aluno a ler  , se o próprio professor não aprecia o material?

 

Acredito que é possível “transformar” o material de forma positiva para que o professor se sinta motivado a passar aquele conteúdo para os alunos.

Certa vez, precisei adotar um livro de leitura para o ensino do inglês para uma turma de pré-adolescentes. Apesar da história não ter sido muito atraente aos alunos, consegui fazer com que lessem o livro, motivados por um projeto final. Ao final da leitura, elaborei um exercício de compreensão que seria usado como base para a letra de uma música. Usando um CD com a música em questão na versão de um karaokê, pudemos cantá-la usando informações obtidas no livro. Foi muito divertido e os alunos apreciaram a atividade.

 

Numa outra ocasião quando coordenava uma escola de idiomas, sugeri   o livro de leitura “A Christmas Carol” de Charles Dickens para algumas turmas. No entanto,  uma professora não se entusiasmou pela história, e por isso não estava conseguindo estimular os alunos a lerem o livro. Naquela época não tinha experiência o suficiente para sugerir estratégias melhores que fizessem com que a professora se interessasse pela história. Somente recomendei que procurasse verificar aspectos no livro que pudessem ajudá-la a apreciar o conteúdo e que era preciso se motivar primeiro para motivar os alunos.

Hoje, refletindo melhor , posso perceber que filmes baseados em livros como aquele, podem servir como uma “isca” para leitores relutantes. Existem várias versões de filmes baseadas no livro “A Christmas Carol” que podem estimular professores ou alunos a lerem a história. Apesar de muitas vezes recomendar a leitura antes de apreciar um filme, tenho notado que o inverso também pode ser feito, no intuito de despertar o interesse pela história, e consequentemente pela sua leitura.

A motivação pela leitura se dá também por hábitos que adquirimos desde a infância.

Por exemplo, qual era a sua atitude com a leitura quando criança?

  1. Quando não sabia ler, gostava de ouvir histórias contadas por um membro da família?
  2. Admirava alguém que lia em voz alta?
  3. Admirava alguém que lia num 2o idioma?
  4. Quando começou a ler, gostava de livros infantis?
  5. Folheava livros de seus irmãos mais velhos?
  6. Gostava de ler gibi?
  7. Era forçado a ler bastante na escola?

 

Ao elaborar as questões acima, pensei em minha própria experiência. Adorava escutar minha irmã lendo histórias infantis para mim, quando ainda não sabia ler e ficava fascinada ao acompanhar as ilustrações. Admirava uma colega que lia muito bem em voz alta, quando estava na 1a série. Sonhava em ler daquela forma um dia. Achava uma maravilha tocar nos livros em inglês originais de minha irmã que já era fluente no idioma, e tinha em mente poder ler um livro daqueles algum dia. Tinha uma coleção enorme de livros infantis e recebê-los em datas especiais era mesmo um grande presente. Na infância e pré-adolescência gostava muito de ler gibis, e encarava os livros que precisava ler para a escola como grandes desafios.

Atualmente aprecio livros voltados ao autoconhecimento ,  reflexões e direcionados à estratégias de ensino.

Portanto, pude notar através destas lembranças que se você gosta de ler e aprecia o material, provavelmente irá motivar seus alunos a lerem também.

Como trabalhar a leitura no idioma estrangeiro? O que ler? Como ler?

A leitura em outro idioma pode ser estimulada desde os primeiros estágios.  Desde o nível básico é possível trabalhar com folhetos no idioma em questão, por exemplo, onde alunos conseguem identificar informação específica dentro de um contexto prazeroso como o de uma viagem. Costumo colecionar estes folhetos quando viajo para o exterior, ou quando ganho de amigos ou alunos que estiveram fora do país. Nas aulas, alunos podem trocar informações quanto a horários, valores e atrações. Esta prática funciona como um grande estímulo para aprender um idioma estrangeiro, pois grande parte dos alunos sonha em viajar para o exterior, ou conhecer outras culturas.

Para o nível básico, pode-se ainda trabalhar com livros de leitura simplificados como “The Collector” (editora Oxford), onde a história toda é contada no tempo presente. Ao dominar a estrutura, alunos costumam se entusiasmar mais pelo conteúdo, ampliando consequentemente o vocabulário.

Já adotei e conheci vários professores de inglês que adotaram “The Phantom of the Opera” (versão para o nível elementar), e usei recursos que estimularam alunos a ler o livro  introduzindo o musical de Andrew Lloyd Webber .

Às vezes, a leitura vem como uma atividade que segue alguma outra tarefa. Por exemplo, quando alunos meus assistiram ao musical “Fame” ( Fama) , fizeram uma pesquisa na internet que envolveu a leitura sobre os personagens do filme.

Ao observar no livro de curso algo sobre Nova York, pudemos buscar mais informações num livro de leitura sobre a cidade.

Desta forma, é interessante notar que dificilmente “escaparemos” da leitura. Existe muito material escrito em forma de folhetos, livros e artigos e é possível estimular alunos a usarem estes recursos de forma interessante e prazerosa.

Gostaria de finalizar este artigo com alguns pensamentos sobre o ato de ler , escritos por  outros profissionais:

 

“Ler é conhecer lugares e pessoas novas sem precisar tirar o pijama.”

Ilana Kaplan (atriz)

“A paixão pelos livros é a paixão mais feliz que pode existir.”

Ruth Rocha (escritora)

“A felicidade não se aprende nos livros, mas pode brotar deles.”

Eduardo Gianetti (economista)

 

Caro profissional de idiomas, o que é “ler” para você? Como seus alunos encaram a leitura? Compartilhe suas ideias…seria um prazer saber seu ponto de vista…

Maria de Fátima
Professora de inglês há mais de vinte anos obteve certificação internacional FCE, OXFORD, Michigan e CEELT2. Com formação em artes plásticas pela FAAP, procura tornar aulas mais criativas, significativas e prazerosas para que o processo e os resultados dos alunos sejam equilibrados. Autora do blog “Idiomas com Arte” www.idiomascomarte.blogspot.com.br e consultora no ensino de idiomas, pretende auxiliar professores a tornar o trabalho mais “colorido”, com um toque especial!!! Atualmente trabalha como professora e consultora autônoma e na Idées Idiomas
Contato: marifa2006@terra.com.br
www.idees.com.br