Um dia eu estava na minha sala de aula, faltavam poucos minutos para o início, os alunos já tinham chegado e estavam se acomodando nos seus lugares, quando vejo se aproximar uma senhora. Bateu levemente na porta, apesar desta estar aberta, e me pediu permissão para entrar.

– Claro que sim – respondi – por favor.

Ela entrou e escolheu um lugar no semicírculo. Era muito elegante e tinha maneiras muito distintas. Como eu continuasse a olhá-la, antes que eu pedisse que ela se apresentasse ela abriu uma bolsa amarela, de onde tirou algumas fotos, umas aquarelas e um tablet.

– Meu nome é Semiótica e gostaria de participar deste curso. – disse ela.

Acho que não consegui disfarçar a minha surpresa. Eu já a conhecia muito bem, há muito que ouvira falar dela pela primeira vez. Mesmo assim pedi que ela falasse um pouco de si.

Ela explicou que tinha nascido na Grécia, mas ainda jovem tinha ido estudar na França. Viajara muito, passara por muitos países e da Itália guardava uma lembrança especial; a amizade com o professor Umberto Eco. Contou que na sua bolsa trazia sempre muitas fotos e algumas aquarelas, mas que hoje em dia conseguia reunir todas as coisas de que gostava e queria ter sempre consigo naquele tablet. Disse que gostava muito das Artes Plásticas, das Artes Visuais e que se interessava muito pela Moda, que estudava os signos, não aqueles do zodíaco, mas os que são da família dos símbolos. Para ela todas as linguagens, não somente a do campo verbal, eram importantíssimas enquanto mecanismo de “significação” e manifestação cultural. Concluiu dizendo que já frequentara muitos cursos de matemática e geometria, além dos cursos de línguas.

Enquanto ela falava reparei nos seus gestos, muito delicados, e no seu rosto muito expressivo e vi que o restante do grupo também a olhava, interessado, curioso e diria até embevecido. Pra mim era uma honra tê-la ali em sala de aula.

A partir daquele dia o curso ganhou vida. Todas as semanas os alunos pediam para que ela mostrasse o que tinha trazido na bolsa amarela e nós continuávamos a nos maravilhar com as coisas que víamos e ouvíamos no seu computadorzinho portátil. Não demorei a concluir que hoje em dia, com todas as ferramentas que nós professores temos à disposição em sala de aula, não é justificado abrirmos mão de outras linguagens, de quantas forem possível utilizar, para nos atermos somente à linguagem verbal ou escrita. Eu pensava sobre isso e notava que ela observava. Tinha o hábito de observar todos a todo momento e, meio que por magia, vi que os outros alunos também tinham começado a fazer a mesma coisa, tinham aprendido a observar em torno, a observar tudo, os gestos, as roupas, as expressões, e o tom do discurso, além do próprio discurso em si. Desde o dia em que Madame Semiótica tinha entrado no curso as conversas eram muito animadas porque transitavam por vários campos, os mais estimulantes, do Cinema ao bordado que faziam as nossas avós. Tudo era linguagem e forma de expressão.

Para trabalhar em sala de aula com Madame Semiótica, seguem algumas opções de atividade:

1)

2)

3)

(Preencha os espaços com as suas sugestões).

Tatiana Ribeiro
Graduada em Letras e mestre em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mestre em Educação pela Università degli Studi di Firenze, na Itália.
Tradutora e professora de português para estrangeiros em escolas de línguas na Toscana, autora do livro “Criatividade e Expressão – exercícios de português para estrangeiros” (Editora Disal), da peça teatral bilíngue – italiano e português “Francisca Chiquinha Gonzaga” (Robin Edizioni,Turim, Itália), dos contos – “Adelaide” e “Giovanni e la Festa” – publicados na coletânea “Io Racconto”, na Itália, do conto “Meu amigo Caravaggio” e do romance “Tropical Noir” (Amazon.com em formato e-book).