Muito se discute a respeito da idade ideal para aprender um novo idioma. Será na infância, adolescência, juventude ou na vida adulta? E é possível aprender inglês na terceira idade?

Em meu livro Ensinando Inglês para Crianças (2017), destaco, segundo alguns pesquisadores, a plasticidade do cérebro infantil, e como nos primeiros anos de vida os pequenos apresentam enorme “capacidade para aprender as duas línguas separadamente e mostram uma compreensão das diferentes situações no momento que lhes convém, na língua mais apropriada” (p. 26). De fato, aprender inglês na infância pode trazer grandes benefícios cognitivos e sociais para as crianças.

Quanto aos adolescentes e jovens, o inglês faz parte de seu cotidiano, através de jogos, músicas, filmes e séries, redes sociais e aplicativos, produtos que consomem, enfim, não há como negar essa presença marcante em suas vidas. Por isso, a aprendizagem se dá rapidamente, mas deve ser levada a sério para que não seja algo superficial. Apenas saber palavras isoladas não garante uma boa comunicação, então, envolver-se em situações comunicativas torna-se essencial. Assim, todo esse conhecimento adquirido no cotidiano pode fazer mais sentido.

Na fase adulta podem surgir alguns desafios, como a ansiedade para aprender logo a língua, que pode gerar insegurança quando os alunos não conseguirem realizar determinada tarefa ou não compreenderem algo que lhes fora ensinado; a timidez; o medo ou a vergonha de errar, entre outras. No entanto, esses obstáculos não podem falar mais alto e o professor tem um papel crucial nesse contexto, pois poderá ajudá-los a vencê-los de forma mais leve, tornando a aprendizagem mais agradável e prazerosa.

Já tive alunos da melhor idade e hoje conheço algumas pessoas nessa fase que enriquecem as aulas com suas experiências de vida. Como exemplos de benefícios de estudar inglês nessa faixa etária, posso citar o aumento da autoconfiança e da sensação de bem-estar, a redução do sentimento de isolamento e o engajamento maior em atividades que podem torná-las mais ativas ou, até mesmo, produtivas.

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Hoje em dia, o número de pessoas da melhor idade que se interessa por aprender um novo idioma só cresce e posso dizer que é prazeroso dar aulas para elas, por alguns motivos: elas são motivadas para aprender, estudam porque realmente querem (não pelo certificado ou porque alguém as obrigou), raramente faltam às aulas, gostam de contribuir com comentários relevantes sobre os tópicos em questão, sempre fazem as tarefas de casa (com raras exceções), são sociáveis e adoram compartilhar experiências, apresentam atitudes positivas em relação ao aprendizado, o que lhes traz grandes vantagens enquanto aprendizes de inglês.

Nesse sentido, os professores devem atentar-se para alguns fatores, buscando adaptar as aulas e diferentes práticas para atender às necessidades dos alunos:

  1. Certifique-se de que está falando claramente e garanta que todos possam ver seu rosto e lábios;

  2. Ajuste o volume para que as atividades de compreensão auditiva (listening), nos áudios e vídeos, se tornem mais confortáveis;

  3. Repita os áudios e vídeos para facilitar a compreensão dos alunos (dê preferência aos de curta duração, quando for possível);

  4. Certifique-se de que não há muitos ruídos nos arredores da sala de aula;

  5. Quando for necessário, imprima os textos de atividades ou provas com fontes maiores para facilitar a leitura;

  6. Verifique se os alunos precisam se sentar mais perto do quadro (e escreva de forma clara e organizada);

  7. Certifique-se de que os alunos estão confortáveis nas carteiras ou à mesa;

  8. Se você planejar alguma atividade de conversação que envolva todo o grupo, em que devem se levantar e se deslocar pela sala de aula, dê um pouco mais de tempo para sua realização;

  9. Integre exercícios de memória nas aulas, para ajudá-los a estudar e, posteriormente, recuperar o vocabulário e as expressões da memória de longo prazo;

  10. Revise gramática, vocabulário e expressões;

  11. Descubra quais são suas motivações para aprender um idioma e adapte a metodologia na medida do possível;

  12. Use técnicas humanísticas para desenvolver a empatia nas aulas;

  13. Evite focar nos erros, para aumentar a autoconfiança e promover a produção do conhecimento dos alunos;

  14. Promova uma atmosfera agradável e descontraída nas aulas;

  15. Evite situações que possam deixar os alunos ansiosos.

Por fim, é importante lembrar que, assim como desafios, todas as idades trazem consigo vantagens e benefícios na aprendizagem de um idioma. Com a constante evolução das tecnologias, as chances de interagir e aprender só aumentam. Portanto, não se deve afirmar que não se tem mais tempo ou idade. Em vez disso, aproveite seu momento e faça dele o melhor para curtir as coisas boas da vida, como estudar inglês. O início do ano é sempre uma ótima oportunidade para começar. Happy 2018!

Joyce Fettermann
Joyce Fettermann has been an English teacher for about 10 years now. She has experience working with kids, teens and adults in different proficiency levels at language and public schools. Currently, she is a PhD student and holds an MA in Cognition and Language from UENF. She received her BA in Languages (English and Portuguese) and a specialization in English Language teaching from UniFSJ. She is also a writer of articles on the use of technologies in English teaching and learning, and organizer of the book Ensino de Línguas e Novas Tecnologias: diálogos interdisciplinares, launched in 2016, by Brasil Multicultural press. Her interests include the use of technologies in language teaching and learning, teacher education and educational resources design. She blogs at: https://joycefettermann.wordpress.com/