Tatiana Ribeiro –

Hoje em dia a didática de línguas tende a privilegiar a comunicação, mas (e isso é muito interessante) sem jamais deixar de valorizar alguns aspectos e elementos presentes em abordagens passadas. Isso significa, por exemplo, reconhecer que não é suficiente ser capaz de se comunicar sem  um conhecimento dos elementos gramaticais de uma língua.

imperativo

O que prevalece atualmente é a ideia de que o professor tem à disposição uma vasta gama de informações provenientes de abordagens e métodos tradicionais e modernos com os quais pode construir uma verdadeira colcha de retalhos. Cada vez mais é considerada superada a ideia de que só um método de aprendizagem seja válido. Note-se que falamos de “aprendizagem” e não de “ensino” ou “ensinamento”. Isso pressupõe que se considere o aluno parte ativa do processo de aprendizagem. Em outras palavras? Numa sala de aula todos contribuem de forma prazerosa para a aquisição e comunicação em uma segunda língua.

Numa perspectiva presente nos cursos de línguas e nos materiais didáticos recentes se espera que o professor, através de uma abordagem eclética, leve em consideração as necessidades linguísticas do aluno inseridas em um contexto comunicativo e as motivações que o levaram a estudar a L2.

Outra herança de grande valor é a atenção aos mecanismos cognitivos inconscientes e aos componentes afetivo-emocionais presentes no processo de aprendizagem. O percurso didático deve ser capaz de minimizar as resistências de caráter psicológico por parte do aluno. Para isso é de fundamental importância a motivação individual e coletiva e a atmosfera de descontração em sala de aula.

Não podemos esquecer ainda que a didática de línguas è uma ciência interdisciplinar que dialoga com outras ciências das quais a Comunicação é apenas uma delas, tão importante quanto a Linguística, a Educação, a Psicologia, a Antropologia e a Sociologia. Mas voltemos à questão da comunicação. Como propor que os alunos interajam ou se comuniquem se não em um contexto atual? É por isso que costumo pensar no “imperativo” do cotidiano, ou seja, na importância que questões do dia a dia possam ter em atividades propostas em sala de aula. Com isso, proponho aqui um exercício com o uso do Imperativo – aplicável para alunos de nível A1 ou A2 – composto por breves diálogos em situações presentes na vida de cada um de nós, falantes de língua portuguesa.

Complete os diálogos abaixo com o Imperativo de tu, você ou vocês.

  1. Helena: O Julinho está manhoso demais! Essa noite não consegui dormir nada!

Manuel: ……………….(ter – você) paciência com ele! Os dentes estão nascendo e o médico disse que isso dói muito.

 

  1. Lucas: Você vem à festa de fim de ano?

Marisa: Mas é claro! Vou levar o violão.

Lucas: Ah,……………….(trazer – tu) o pandeiro também! E………………..(convidar- tu) a tua irmã.

Marisa: ………………….(telefonar – tu) pra ela, aposto que ela vai adorar o teu convite.

 

  1. Professora: Não………………………..(fazer – vocês) tanto barulho! Estou ficando rouca de tanto gritar!

Marcos: Iihhh, a prof está estressada hoje.

Lina: Sshhh!………………….(calar – tu) a boca! Quer piorar as coisas?

Carla: Não…………………(encher – tu) o saco, Marcos! Coitada da prof!

 

  1. Manuel: ……………………..(perguntar – você) pro doutor se podemos dar as gotinhas para dor de dente.

Helena: Já liguei várias vezes. Estou cansada de ouvir aquela voz de taquara rachada da secretária eletrônica ……………….(deixar – você) seu recado após o sinal!

Manuel:…………………..(tentar – você) o celular!

Helena: É lógico que já tentei! Está sempre desligado!

 

  1. Lucia: Amanhã é o aniversário do Claudio e não sei o que dar de presente.

Mariana: …………………..(dar – tu) um livro do Carlos Drummond de Andrade! Ele adora poesia!

 

6.– Por favor, moço, como faço para ir daqui para o Real Gabinete Português de Leitura?

– É muito fácil: você………………….(seguir) sempre em frente por essa rua aqui e lá no final você……………….(virar) à direita.

 

  1. – Bom dia, eu queria falar com a Tania, que trabalha na secretaria.

– Pois não, a secretaria fica no segundo andar,……………………(subir – o senhor/a senhora) as escadas, ……………(virar – o senhor/a senhora) à esquerda e………………..(percorrer) todo o corredor.

– Obrigada! Mas não posso subir de elevador?

– ………………….(desculpar- o senhor/a senhora), mas o elevador está enguiçado desde hoje de manhã e até agora ninguém veio consertar.

 

  1. 8. – Preciso comprar um presente para a minha mãe, é aniversário dela semana que vem. Pensei em comprar um livro da Lya Luft, ela gosta muito!

– Então,…………………(vir – tu) comigo até a livraria! Estou indo lá para comprar um dicionário de francês.

 

  1. 9. – Alô? Por favor, eu queria falar com o Lucas, ele está?

– Ele está numa reunião. Quer deixar um recado?

– Sim, por favor, ……………..(dizer – você) para ele que a Ana ligou, ele tem meu celular.

 

  1. 10. – Me………………(fazer – tu) um favor?

– Claro!…………………(dizer – você)!

–……………………(pegar – você) aqueles questionários ali na estante e………………………….(destruibuir) nas mesas dos alunos, depois……………………………..(abrir – você) a caixa de canetas e………………………….(por – você) uma para cada aluno.