Quando lemos uma pergunta como esta a nossa tendência quase que automática e inconsciente é de tentar respondê-la. O desafio que proponho aqui, no entanto, é pensarmos no mecanismo que aciona este botãozinho ou talvez até pensarmos se existe um único botão a ser acionado.

Fazendo um exercício de imaginação eu vejo dois possíveis caminhos iniciais. O primeiro é o de efetivamente buscar a resposta para esta pergunta. O segundo é o de formular uma nova pergunta para esta pergunta. Vamos analisar alguns exemplos. Se a questão fosse “O que é Educação bilíngue?” podemos concluir que o primeiro caminho, da resposta objetiva, seria a escolha do maior número de pessoas (ou cérebros). Faço um pequeno parêntese aqui para compartilhar com vocês uma das respostas formuladas no último evento sobre o tema promovido pela Disal no ano passado, na Disal Higienópolis. Um dos grupos (peço perdão por não ter os nomes dos participantes para dar o devido crédito) chegou a esta resposta: “Bilingual Education is a form of education in which two languages are taught and explored in order to reach interdisciplinar goals, besides the ones established by the national curriculum”. Houve, na mesma ocasião, também a menção a outros aspectos importantes como a percepção de que vivemos em uma sociedade multicultural, o foco no “otherness” (adoro esta palavra) e a integração do aprendizado.  Boas definições, não é mesmo? Vamos fechar este parêntese agora, quem sabe retomamos ele em outro momento. Este exemplo demonstra que o nosso cérebro pode, quando desafiado, optar pelo caminho: pergunta-respostas e, é claro, sabemos que por vezes existem muitas respostas para uma mesma pergunta.

E quanto ao segundo caminho, o do pergunta-perguntas? Quando você leu o título deste texto você se perguntou: “O que eu já sei sobre Educação Bilíngue?” ou ainda “O que eu sei sobre Educação Bilíngue está correto?”. Perceba que ainda que estas sejam perguntas que fazemos a nós mesmos o cérebro deu o primeiro passo, fez a escolha de seguir por um caminho.

Agora pense comigo. Caso você nunca tenha ouvido falar sobre este assunto ou não tenha interesse nele, você iria continuar a leitura do texto? Para te ajudar neste raciocínio, responda mais esta: Você compraria um livro sobre carros antigos? Os amantes deste tema gritariam “Claro que sim!” porque para eles parece óbvio o quanto este é um assunto incrível e inclusive poderiam se ofender e reagir com algo do tipo “Como alguém pode não se interessar por isso?”. Para outros, no entanto, talvez a resposta fosse “Não, prefiro comprar um livro sobre arte ou museus”. Nós, amantes da língua inglesa, podemos ter certo estranhamento em pensar que uma criança talvez não ache de início aquilo interessante.

É precisamente neste ponto que eu gostaria de chegar. O nosso cérebro tem pelo menos dois botões que acionam o desejo por conhecimento e aprendizado. Um botão é do interesse que devemos ter para querer saber sobre algo que desconhecemos. O outro botão é aquele que reconhece o assunto como familiar e então buscamos mais informações sobre ele.

Quando o primeiro botão não estiver disponível, que tal utilizarmos o segundo botão, o do familiar? Um aprendizado do idioma contextualizado com temas que fazem parte do cotidiano escolar, que soam familiar ao aluno, pode, portanto, ser interessante? Este é o caminho da Educação bilíngue. A Educação bilíngue, quando integrada à proposta pedagógica e ao currículo da escola, encontra o seu caminho nos mapas das conexões cerebrais dos alunos até chegar àquele lugar mágico onde o novo idioma se instala, se acomoda, se sente confortável e torna-se parte integrante de uma nova geração de amantes da língua inglesa, essa é a missão! Todos prontos?

Milena Claus
Fundadora da YouZ Sistema de Ensino Bilíngue, Pedagoga graduada pela Universidade de São Paulo (USP), pós-graduada em Psicopedagogia Educacional. English teacher e Coordenadora de Ensino nas principais escolas de idioma do país.