(por Tatiana Ribeiro para Luís Fernando Veríssimo)

O estrangeiro chega à praça e vê uma mãe sentada num banco, se aproxima e pede licença para se sentar também. A senhora consente, está ali tomando conta dos dois filhos, que brincam com outras crianças.

Estrangeiro – Bom dia. Permite que eu me sente?

Língua materna – Bom dia. Claro, por favor.

Estrangeiro  (olhando para os filhos da senhora) – Como eles se chamam?

Língua materna – (sorrindo orgulhosa) Por e Para.

funny.pho.to_puzzle

 

Estrangeiro – São gêmeos idênticos?

Língua materna – Não!… Imagine… (sorrindo) são completamente diferentes, com personalidades completamente diversas.

Estrangeiro – É mesmo?… poderia jurar que são iguais. Acho que são seus olhos de mãe que fazem com que a senhora veja bem claramente as diferenças. Para quem vê de fora… é difícil dizer quem é um e quem é o outro.

Língua materna – O senhor não é daqui?

Estrangeiro – Não. Acabei de chegar, ainda estou me ambientando e não conheço ninguém por aqui. Vim a trabalho.

Língua materna – Posso lhe apresentar algumas pessoas aqui na cidade, se quiser.

Estrangeiro – Seria muito útil! Agradeço muitíssimo.

Língua materna – É um prazer. Eu estou sempre aqui na praça com Por e Para, se quiser e puder vir mais vezes terá a oportunidade de conhecê-los melhor. Só conhecendo bem, tendo um contato frequente é possível distinguí-los e aprender a lidar com eles.

Estrangeiro – Ah! Então admite que não é simples lidar com eles?

Língua materna – (rindo) Já me disseram algumas vezes, mas sou mãe, portanto sou suspeita. Prefiro não falar. Eu os conheço muito bem.

Estrangeiro – Me desculpe…é que continuo a não ver diferença…

Língua materna – Para ser sincera, acontece às vezes que uma pessoa me diga: “ah, finalmente reconheço, aquele ali é o Para!” quando na verdade é o Por. Vê? Aquele ali é o Por. Fala muito de dinheiro, de preço…essa coisa me preocupa. Também é muito ligado à questão de duração de tempo e de trajeto, que se deve ir por ali e não por lá…é muito ligado à causa que determinou alguma ação e, na verdade, muitas das vezes tem…voz passiva…a não ser quando deve falar no lugar de alguém. Quando encontra A e O aqui na praça…nossa!…se transforma, nem parece o mesmo.

Estrangeiro – Entendo…

Língua materna – Já o Para é mais sociável, mais comunicativo. As pessoas costumam ter mais simpatia pelo Para.

Estrangeiro – Imagino que isso seja difícil para uma mãe.

Língua materna – Já estou acostumada. O Para é cativante porque fala sempre de objetivos, de metas, de futuro. Também está sempre voltado para as finalidades, está sempre direcionado para algum lugar, algum ponto no futuro ou no espaço ou para alguém.

Estrangeiro – É mais altruísta.

Língua materna – Acho que sim.

(A Língua materna cumprimenta algumas pessoas).

Estrangeiro – Vejo que todos a conhecem por aqui. Se puder me ajudar a entrar nessa comunidade, que é nova pra mim, será de muita ajuda.

Língua materna – Mas claro! Já disse que sim. Por que não vem almoçar ou jantar conosco um dia? A Gramática vai gostar.

Estrangeiro – (surpreso) Gramática?…não acredito!…então a senhora e a Gramática…

Língua materna – Sim, temos uma relação. Não tem preconceito, espero.

Estrangeiro – Não! Absolutamente! Fiquei surpreso porque conheci a Gramática antes de vir para cá. Quer dizer, fomos apresentados, mas não posso dizer que a conheço bem.

Língua materna – Ah! Que bom, então vai conhecer melhor o Por e o Para e também a Gramática. Não repare, às vezes ela tem uma visão um pouco rígida sobre algumas coisas, mas é só fachada. Com o tempo ela se molda, se dobra e se mostra até bastante flexível.

Estrangeiro – Ótimo! Não vejo a hora de conhecê-las melhor.

(Língua materna pega um pedaço de papel e começa a escrever o seu endereço).

Língua materna – Amanhã está bem? Para o almoço?

Estrangeiro – Perfeito! Nos vemos amanhã. Muito obrigado pelo convite.

Língua materna – Até amanhã.

Estrangeiro – (para as crianças) – Tchau, Para…

Língua materna – Não…aquele ali é o Por.

Algumas sugestões de frases, tiradas do meu livro “Criatividade e Expressão”, para trabalhar com os alunos em sala de aula:

Complete com a preposição adequada : para e por com ou sem artigo (pelo, pela, pelos, pelas).

 

  1. Mandei uma encomenda………………..você, que chegará dentro de poucos dias.
  2. Miriam pagou muito caro…………………aqueles sapatos horríveis.
  3. Eles viajaram……………………….os Estados Unidos na semana passada.
  4. Ele levou muito tempo……………………..aprender o Futuro do Subjuntivo.
  5. Nós pagamos um peço alto…………………nossos erros.
  6. A música “O trenzinho do caipira” foi composta……………..Heitor Villa-Lobos.
  7. Marcia foi contratada………………….trabalhar naquela empresa………………..ser amiga do Diretor.
  8. Vocês prepararam o projeto……………..apresentar na reunião de segunda-feira?
  9. Ele não mede esforços…………………..conseguir o que quer.
  10. Na assembleia, o representante sindical falou……………….todos os operários da fábrica.
  11. Ela apresentou seu projeto de pesquisa………………..uma comissão de 7 pessoas.
  12. Não sei…………….onde começar a arrumar a casa.
  13. O romance “Lucíola” foi escrito……………….escritor José de Alencar e publicado…………….primeira vez em 1862.
  14. A obra “O guarani” foi composta………………maestro Carlos Gomes e apresentada………………..primeira vez em 1870.
  15. Fiz uma proposta a Pedro e ele pediu um tempo……………..pensar e decidir.
  16. Esse quadro foi pintado……………….Tarsila do Amaral.
  17. O poema “Tabacaria” foi escrito…………………poeta português Fernando Pessoa.
  18. A mãe de Adelaide costurou sua fantasia……………..o baile de Carnaval.
  19. O cronista João do Rio percorria as ruas da cidade…………….captar a sua verdadeira alma.
  20. Troquei uns livros usados……………………..um CD novo.
  21. Na praia, Ana chamou o rapaz…………………comprar um sorvete.
  22. Marcelo e Ana convidaram Pedro……………….ir ao cinema depois da praia.
  23. Ontem vi Alberto no metrô, ele estava atrasado…………………uma importante reunião de negócios.
  24. Ana foi à livraria…………………comprar um livro de presente para sua melhor amiga.
  25. Assim que as primas chegaram quiseram dar um passeio………………..redondezas para conhecer a cidade.
  26. Claudio tentou fazer uma reserva num hotel……………..o próximo mês, mas o rapaz da recepção disse que, naquele período, eles só tinham quarto……………casal.
  27. O nosso quarto na pousada em Búzios ficava de frente………………o mar.
  28. Depois do acidente, foi um verdadeiro corre-corre……………..ruas do bairro.
  29. Itabuna, no sul da Bahia, é conhecida…………………plantações de cacau.
  30. Caminhar na areia é muito bom……………….manter a forma.
  31. Ele deixou-se envolver totalmente………………….. vida política da cidade.
  32. Estamos plantando sementes……………………um futuro melhor.
  33. Ontem passei de carro……………………sua rua.
  34. Vamos deixar isso…………………..depois, agora temos assuntos mais urgentes…………………resolver.
  35. ……………………….ela a vida era um grande mistério.