Na guerra das franquias das escolas de inglês, há quem defenda os mais diferentes métodos. De técnicas repetitivas e de memória, em que o aluno e professor passam horas traduzindo frases, até métodos cujo foco é exclusivamente em alguma das conhecidas habilidades do aluno: listening, writing, speaking, reading. Há, por exemplo, quem ache que trabalhar apenas a fala dos alunos, sem deixá-los escrever uma linha sequer, é o jeito certo de se aprender e ensinar. Pois, sim, há quem diga ainda que o importante é aprender como os nativos que, quando crianças, obviamente aprendem a falar e só depois vão à escola aprender a gramática da língua que já dominam. Preciso ponderar que alunos já crescidos, digo depois já dos cinco, seis anos, com a língua mãe no coração, tendem a se questionar e, também obviamente, a aprender a segunda língua a partir da primeira. Certa vez, lecionei para um pai e uma filha. Enquanto a menina de 9 anos me respondia prontamente um how are you doing? (como você vai?), o pai me questionava quanto ao mecanismo da pergunta. As ligações com a língua mãe são inevitáveis e é por isso que o método radical e tão revolucionário dali ou daqui não servirá necessariamente a todo e qualquer aluno.

O que ocorre, então, é sempre certa dúvida sobre qual curso escolher, com qual método pode se aprender mais. Aquela ideia de método milagroso, que te faria sair falando inglês fluentemente em menos de seis meses, aos poucos está mudando. Tanto as escolas quanto os alunos vêm percebendo que antes de qualquer metodologia, regra, proibição, repetição, mecanismo, o que temos de lidar é com seres humanos e seus diferentes jeitos de apreender a realidade que se apresenta a eles assim como qualquer língua. Para a semiótica, o estudo da mensagem que qualquer coisa no mundo pode passar, tudo na vida pode ser considerado como uma língua ou um código. Há pessoas que sabem bem interpretar o céu e saber se choverá ou não, há alguns que sabem “falar” fluentemente o código de como fazer um bom café, outros sabem a língua das vassouras e dos alvejantes, outros são versados no idioma dos negócios entre empresas. A importância de tais coisas é uma convenção social e por isso se dá mais valor a algumas do que outras. Fato é que durante o percurso da vida, nós aprendemos as mais diversas “línguas”: aprender a dirigir, entender as regras de um jogo, como cozinhar um arroz bem soltinho ou mesmo como ler as receitas de costuras são bons exemplos de interpretação de códigos. Logo, aprender uma língua outra que não a própria também segue certas leis.

Como a dona de casa respeita a ordem da água primeiro ferver para depois misturá-la ao pó de café, no aprendizado de inglês, por exemplo, é necessário também ter paciência, aprender certas coisas antes e outras depois, ir passo a passo, e entender que nesta trajetória, como tudo na vida, se cometerá erros e mais erros que, se refletidos, se somarão em acertos. O melhor método para aprender inglês é aquele que fez a feliz e grandiosa descoberta que tanto aluno como professor são, antes de tudo, humanos e potencialmente bons, cada um com suas particularidades, para aprender códigos novos ou línguas diferentes.

Adrian Clarindo
Adrian Clarindo é formado em Letras Português/Inglês, mestre em Linguagem (UEPG), escritor, tradutor, e professor de inglês e português e suas respectivas literaturas. Lida também com aplicativos para celulares na área da educação, tecnologia e aprendizado.