Recordações de uma professora de inglês

 

Fui criada no meio de pessoas que sempre viram o estudo como fonte de prazer e entretenimento. Mesmo diante de dificuldades, nos ajudavam uns aos outros e a lição de casa ou a preparação para uma prova tornava-se uma grande brincadeira! Sempre rodeada de revistas e livros, aos 6 anos de idade fiquei fascinada ao receber de meu pai um fascículo comemorativo do 1º homem na lua!

Ao escutar encantada as vozes dos astronautas, pensei:_ “Gostaria de ser astronauta também”… “ Êpa”… “estão falando em inglês”… observei…

 

 

“Logo, para tornar-me astronauta preciso falar inglês”…constatei.

Querer ser astronauta foi a primeira admiração e motivação em relação ao idioma que tive.
Fiquei desde então, atenta a tudo que estivesse relacionado ao inglês. Na escola, adorei ter aprendido a canção“My Bonnie”.

 

 

Apesar de não saber ao certo a letra da música, sabia que tinha a ver com um barquinho e o som da música lembrava o

movimento do mar. Era divertido cantar a canção com a turma da escola!!! Por incrível que pareça, essa foi a única recordação marcante do inglês entre os 6 e 10 anos de idade. O inglês não era lecionado da 1ª à 4ª série.

 

Neste intervalo, entretanto, pude ter contato com o inglês através dos “bolachões”, dos discos de vinil de minhas irmãs mais velhas, e neles vinham as letras das músicas na contra-capa.

 

Alguns desenhos animados eram exibidos em inglês na TV, o que chamavam muito a minha atenção.

Folheava livros em inglês de minhas irmãs e achava tudo muito interessante apesar de não entender muita coisa.

Ao ingressar na 5ª série, senti um friozinho na barriga, era o início do antigo “ginásio”e eu aguardava a aula de inglês com grande ansiedade.

Lembro-me mais ou menos de um diálogo que precisava decorar:

“-Hi, I´m Vicky!
-Hello, I´m Peggy!
-Are you fine?
-Yes, I am.
-Ok, Let´s sing!
-All right!”

Gostei muito do diálogo mas o restante do curso foi muito entediante, com um livro adotado que fazia com que verificássemos as respostas dos exercícios através de uma máscara de plástico.

Era divertido no começo, mas depois ficou algo muito chato mesmo.

Lembro-me de ter dificuldades em assimilar o inglês no ginásio e tudo era muito nebuloso. Parecia que estudar inglês era “difícil” e cinzento. Ao iniciar o 2º grau não tive aulas de inglês até o 3º ano, nível que exigia preparo para o vestibular.

Como fiquei 2 anos com o inglês adormecido, foi difícil acompanhar a metodologia da professora que usava textos em inglês para lermos em voz alta com a tradução simultânea, além dos longos exercícios de gramática para casa. A única estratégia positiva neste ensino foi a de agrupar os verbos irregulares por sons similares, como por exemplo:

Let  let  let

                  Put  put put

Cut    Cut   Cut

Bring brought brought

Buy bought bought Leave left left

 

Nos três primeiros exemplos, os verbos têm a mesma forma (básica/passado simples/ particípio passado) e nos outros exemplos o passado simples tem a mesma forma que o particípio passado). Foi a única forma que encontrei para memorizar os verbos irregulares em inglês e a utilizo até hoje com meus alunos.

O 3º ano do 2º grau foi um grande marco para mim, pois foi quando comecei o curso de inglês numa escola especializada em São Paulo. Como sempre gostei do inglês as dificuldades encontradas no colégio não foram empecilhos para que eu me sentisse motivada e com vontade de fazer o curso até o último estágio. “Fiz a festa!!” mesmo!!

Adorava todas as atividades, dificilmente faltava às aulas, além de frequentar a biblioteca, teatro e cinema para complementar os estudos. As professoras eram excelentes e exigentes e eu procurava entender, estudava e treinava bastante. Tinha vontade de aprender e aproveitava as boas intenções das “teachers”.

Lembro-me do exato momento que comecei a ficar fluente…

Foi quando comecei a ler “readers” (livrinhos de leitura simplificada em inglês) e discutir as histórias em aula. Como as referências de leitura já estavam em inglês, ficava mais fácil concentrar-me em estruturas e vocabulário acessíveis para que eu pudesse contar a história.

Comecei a criar o hábito de visualizar as imagens sugeridas pelos livros, e não traduzir palavra por palavra. Quando estava escrita a palavra “house”, por exemplo, visualizava a “house” e não traduzia para a palavra “casa”.

“The boys were playing in the garden” eram visualizados e a frase não era traduzida para o português. Além das discussões para verificar o entendimento da história, podíamos expressar nossas opiniões e interpretações quanto ao texto. Era muito gratificante poder organizar os pensamentos em inglês de forma interessante e envolvente.

Outro hábito que adquiri enquanto frequentava o curso era o de “caminhar pensando em inglês”… Como tinha um bom caminho a percorrer do ponto de ônibus até a escola, ia organizando em minha mente ideias, comentários ou algo sobre a rotina em inglês. Poderiam ser até frases simples, mas era um exercício bastante significativo para a comunicação e expressão.

Como apreciava muito a biblioteca da escola, costumava ler revistas, jornais e livros em inglês que não eram assustadores por ter usado uma estratégia que até hoje recomendo a meus alunos.

A de “connect the dots!” (ligue os pontos), ou seja, quando estiver lendo um texto em inglês, leia fluentemente, conectando os pontos; ao ler uma linha e se deparar com uma palavra desconhecida, não se importe, “pule” a palavra e siga em frente. Faça isso até o final do texto e tente entendê-lo como um todo.

 

Se tiver curiosidade ou necessidade em saber o significado das palavras desconhecidas, volte a ler o texto e procure adivinhar o significado , conferindo em seguida com um bom dicionário. Esta leitura pelo contexto ajudará você a ser fluente na interpretação e a verificação do significado irá auxiliar você a ampliar o vocabulário.

Na época em que eu era estudante não existiam tantos recursos como hoje, mas mesmo assim gostava de assistir a peças de teatro de grupos ingleses e filmes, sem ter a expectativa de entender muita coisa. Se conseguisse entender 20%, 30% no início do curso, já ficava contente.

Digo até hoje a meus alunos para aproveitarem os vários recursos existentes atualmente, mesmo se for para entender “um pouco”. Se você, por exemplo, assistir a um filme em inglês sem legenda e conseguir entender uma palavra ou frase, já é lucro!!! Comemore!!!

Às vezes as exigências internas do aluno, principalmente do adulto, são tantas que ele/ela acaba se esquecendo desses pequenos prazeres e detalhes em entender algo de um filme ou de uma música. Se quiser aprofundar-se mais no significado, assista a um filme com a legenda em inglês, leia a letra de uma música… é muito divertido e construtivo.

Uma prática muito interessante também que costumava ter em meus cursos era a de escolher um tópico e fazer uma pequena apresentação em inglês. Era um desafio prazeroso e envolvente.

Com toda esta experiência como estudante de inglês pude conhecer como professora métodos diferentes e posso hoje depois de  trinta anos lecionando alunos de idades variadas perceber que:

 

 

  1. Alunos precisam se auto motivar e procurar um curso/aula que se encaixe ao seu perfil. (Existem muitos métodos diferentes)
    É como se você fosse a um banquete e escolhesse o melhor, o que lhe apetece.
  2. Alunos precisam comemorar as pequenas vitórias e se encantar com as pequenas descobertas. Quando você estiver no nível Básico I e conseguir entender algo da canção “Hello, Goodbye” dos Beatles, Parabéns! Continue assim!!
  3. Alunos precisam traçar um objetivo, mas como consequência e não como parte principal do curso.
    Por exemplo, se o seu destino é o exame do FCE, ou uma promoção no trabalho, concentre-se no processo, “curta” cada etapa e tenha o “gol” como consequência da dedicação.

 

 

Como costumava dizer o ex-atleta Carl Lewis “ Quando estou competindo concentro-me na corrida e não na medalha”

Por isso, caro aluno, estudar inglês é muito legal, prazeroso e pode trazer muitos retornos!!

 

 

 

Os relatos acima foram apenas sugestões para inspirá-lo, motivá-lo a continuar seus estudos.

Boa aula!!

Um grande abraço,

 

Maria de Fátima
Professora de inglês há mais de vinte anos obteve certificação internacional FCE, OXFORD, Michigan e CEELT2. Com formação em artes plásticas pela FAAP, procura tornar aulas mais criativas, significativas e prazerosas para que o processo e os resultados dos alunos sejam equilibrados. Autora do blog “Idiomas com Arte” www.idiomascomarte.blogspot.com.br e consultora no ensino de idiomas, pretende auxiliar professores a tornar o trabalho mais “colorido”, com um toque especial!!! Atualmente trabalha como professora e consultora autônoma e na Idées Idiomas
Contato: marifa2006@terra.com.br
www.idees.com.br